CLARO ENIGMA – CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

CAIU NO VESTIBULAR!

2018

(FUVEST 2018) Leia o texto e atenda ao que se pede.

A MÁQUINA DO MUNDO

E como eu palmilhasse vagamente

uma estrada de Minas, pedregosa,

e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos

que era pausado e seco; e aves pairassem

no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo

na escuridão maior, vinda dos montes

e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu

para quem de a romper já se esquivava

e só de o ter pensado se carpia.*

(…)

Carlos Drummond de Andrade, Claro enigma.

*carpir-se: lamentar-se.

  • a) O ponto de vista do eu lírico em relação à “máquina do mundo” ilustra as principais características de Claro enigma? Justifique.
  • b) Transcreva o verso que sintetiza o evento sublime de que trata o texto.

RESPOSTA: a) Sim, nas três primeiras estrofes de “A máquina do mundo”, o eu lírico ilustra as principais características de “Claro enigma”, obra que inicia a sua terceira fase. Trata-se do momento em que o poeta abandona as certezas e esperanças da fase anterior para expressar a opressão e o esmagamento do ser face aos problemas sociais do final da Segunda Guerra Mundial. Versos como “a estrada é pedregosa”, “o sino possui um som rouco”, “o som dos sapatos do poeta é seco”, “fecho da tarde”, “céu de chumbo”, “escuridão maior” expressam a negatividade e o pessimismo do eu poético até o momento em que a necessidade de abertura, provoca a revelação. b) O verso que sintetiza o evento sublime no poema é: “a máquina do mundo se entreabriu“. (A ideia de Máquina do Mundo está associada ao sistema cósmico do mundo, ao modo como ele funciona e a tudo o que ele rege e congrega).

 

E (FUVEST 2018)

Os bens e o sangue

VIII

(…)

Ó filho pobre, e descorçoado*, e finito

ó inapto para as cavalhadas e os trabalhos brutais

com a faca, o formão, o couro… Ó tal como quiséramos

para tristeza nossa e consumação das eras,

para o fim de tudo que foi grande!

Ó desejado,

ó poeta de uma poesia que se furta e se expande

à maneira de um lago de pez** e resíduos letais…

És nosso fim natural e somos teu adubo,

tua explicação e tua mais singela virtude…

Pois carecia que um de nós nos recusasse

para melhor servir-nos. Face a face

te contemplamos, e é teu esse primeiro

e úmido beijo em nossa boca de barro e de sarro.

Carlos Drummond de Andrade, Claro enigma.

* “descorçoado”: assim como “desacorçoado”, é uma variante de uso popular da palavra “desacoroçoado”, que significa “desanimado”.

** “pez”: piche.

Considere as seguintes afirmações:

  1. Os familiares, que falam no poema, ironizam a condição frágil do poeta.
  2. O passado é uma maldição da qual o poeta, como revela o título do poema, não consegue se desvencilhar.
  3. O trecho “o fim de tudo que foi grande” remete à ruína das oligarquias, das quais Drummond é tributário.
  4. A imagem de uma “poesia que se furta e se expande/à maneira de um lago de pez e resíduos letais…” sintetiza o pessimismo dos poemas de Claro enigma.

Estão corretas:

  • a) I e II, apenas.
  • b) I, II e III, apenas.
  • c) II e IV, apenas.
  • d) I, III e IV, apenas.
  • e) I, II, III e IV.

 

A (FGV 2018)

Legado
Que lembrança darei ao país que me deu
tudo que lembro e sei, tudo quanto senti?
Na noite do sem-fim, breve o tempo esqueceu
minha incerta medalha, e a meu nome se ri.

E mereço esperar mais do que os outros, eu?
Tu não me enganas, mundo, e não te engano a ti.
Esses monstros atuais, não os cativa Orfeu,
a vagar, taciturno, entre o talvez e o se.

Não deixarei de mim nenhum canto radioso,
uma voz matinal palpitando na bruma
e que arranque de alguém seu mais secreto espinho.

De tudo quanto foi meu passo caprichoso
na vida, restará, pois o resto se esfuma,
uma pedra que havia em meio do caminho.

Carlos Drummond de Andrade, Claro enigma.

  • É compatível com o poema de Drummond o que se encontra na
    seguinte alternativa:
  • a) O poeta realiza um balanço, entre decepcionado e irônico, de seu próprio percurso poético, o que inclui até mesmo uma referência a um de seus poemas anteriores mais conhecidos.
  • b)  O poema recupera a forma clássica do soneto com o intuito principal de criticar o tradicionalismo que assolava a poesia brasileira desde a assim chamada “Geração de 1945”.
  • c)  O texto se configura como uma profissão de fé nacionalista, dirigida contra o caráter enganoso e nocivo das influências estrangeiras sobre a cultura nacional.
  • d) O eu lírico lança mão da metalinguagem para dar voz a seu amargo arrependimento de ter participado do movimento modernista, que ele agora repudia.
  • e) A presença de referências mitológicas, em especial ao mito de Orfeu, insere o poema na tradição pagã inaugurada, no Brasil, pelo Parnasianismo.

 

C (FGV 2018)

Legado
Que lembrança darei ao país que me deu
tudo que lembro e sei, tudo quanto senti?
Na noite do sem-fim, breve o tempo esqueceu
minha incerta medalha, e a meu nome se ri.

E mereço esperar mais do que os outros, eu?
Tu não me enganas, mundo, e não te engano a ti.
Esses monstros atuais, não os cativa Orfeu,
a vagar, taciturno, entre o talvez e o se.

Não deixarei de mim nenhum canto radioso,
uma voz matinal palpitando na bruma
e que arranque de alguém seu mais secreto espinho.

De tudo quanto foi meu passo caprichoso
na vida, restará, pois o resto se esfuma,
uma pedra que havia em meio do caminho.

Carlos Drummond de Andrade, Claro enigma.

Nas palavras sublinhadas no trecho “entre o talvez e o se” (verso 8), o poeta obtém efeito expressivo por meio da derivação imprópria (quando há mudança da categoria gramatical de uma palavra sem modificação de sua forma). Esse processo de formação de palavras só NÃO ocorre no seguinte provérbio:

  • a) O mentir vem do pouco ver e do muito ouvir.
  • b) Mais vale um não a tempo que um sim retardado.
  • c) Mais se arrepende quem fala do que quem cala.
  • d) Onde entra o beber, sai o saber.
  • e) O fácil de se dizer é difícil de se fazer.

 

C (FAC. ALBERT EINSTEIN – MEDICINA 2018)

A MÁQUINA DO MUNDO
E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco
se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas
lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,
a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.
( … )
O acima integra um poema maior da obra Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade. Considerando o poema como um todo, NÃO É CORRETO afirmar que
  • a) caracteriza-se por um tom sombrio, insere-se nos poemas escuros da obra e apresenta o material temático desenvolvido no poema.
  • b) revela o lirismo  filosófico e existencial do poeta sob a configuração de uma máquina que se mostra a um desiludido viajante.
  • c) personifica um caminhante que aceita o convite que lhe é feito, e decifra a máquina do mundo, compreendendo, assim, o sentido íntimo da vida e de tudo.
  • d) mantém uma relação dialogal com mesmo tema de obra de Camões e com a estrutura poético-narrativa da obra de Dante Alighieri.

 

2017

B (FACULDADE DE MEDICINA ALBERT EINSTEIN 2017)

Oficina Irritada

Eu quero compor um soneto duro
como poeta algum ousara escrever.
Eu quero pintar um soneto escuro,
seco, abafado, difícil de ler.

Quero que meu soneto, no futuro,
não desperte em ninguém nenhum prazer.
E que, no seu maligno ar imaturo,
ao mesmo tempo saiba ser, não ser.

Esse meu verbo antipático e impuro
há de pungir, há de fazer sofrer,
tendão de Vênus sob o pedicuro.

Ninguém o lembrará: tiro no muro,
cão mijando no caos, enquanto Arcturo,
claro enigma, se deixa surpreender.

O texto acima é de Claro Enigma, obra de Carlos Drummond de Andrade. De sua leitura se pode depreender que

  • a) é um poema que segue rigorosamente os procedimentos de construção do soneto clássico e tradicional, particularmente quanto à disposição e ao valor das rimas e ao uso da chave de ouro como fecho conclusivo do texto.
  • b) é um metapoema e revela que o soneto que o autor deseja fazer é o mesmo que o leitor está lendo, como a evidenciar na prática a junção do querer e do fazer.
  • c) utiliza-se de expressões como “tiro no muro” e “cão mijando no caos”, que, além de provocar mau gosto e o estranhamento do leitor, rigorosamente, nada têm a ver com a proposta de elaboração do poema.
  • d) faz da repetição anafórica e do paralelismo dos versos, um recurso de composição do poema que o torna enfadonho e antiestético e revela um poeta de produção duvidosa e menor.

 

D  (FACULDADE DE MEDICINA ALBERT EINSTEIN 2017)

Legado

Que lembrança darei ao país que me deu

tudo que lembro e sei, tudo quanto senti?

Na noite do sem-fim, breve o tempo esqueceu

minha incerta medalha, e a meu nome se ri.

E mereço esperar mais do que os outros, eu?

Tu não me enganas, mundo, e não te engano a ti.

Esses monstros atuais, não os cativa Orfeu,

a vagar, taciturno, entre o talvez e o se.

Não deixarei de mim nenhum canto radioso,

uma voz matinal palpitando na bruma

e que arranque de alguém seu mais secreto espinho.

De tudo quanto foi meu passo caprichoso

na vida, restará, pois o resto se esfuma,

uma pedra que havia em meio do caminho.

 

Esse poema integra a obra Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade. Da leitura dele, depreende-se que

  • a) o poeta exalta a força que a poesia tem de tornar perenes as vicissitudes efêmeras da vida.
  • b) as rimas, bastante convencionais, dão ao poema um tom passadista que faz dele um texto de dúbia qualidade estética.
  • c) o legado a que se refere o texto diz respeito somente à poesia metaforizada como canto radioso.
  • d) o poema se organiza em versos alexandrinos, de caráter parnasiano, sem deixar de apresentar a clássica chave de ouro, que confere brilhantismo ao fecho do texto.

 

C (FMABC 2017) Sobre o livro Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade, pode-se afirmar que

  • a) é uma continuidade natural, tanto estilística quanto temática, das obras que o antecederam.
  • b) desenvolve temas sociais e se mostra como denúncia da condição humana no período de opressão e de guerra.
  • c) aborda temas de sondagem filosófica e adentramento do mundo psíquico e existencial marcado por profundo nihilismo.
  • d) apresenta uma visão otimista do mundo em que as formas de liberdade também se revelam no uso de uma poesia sem o rigor de métrica e de rima.

D (UFPR 2017) “E não gostavas de festa… / Ó velho, que festa grande / hoje te faria a gente”. Esses são os versos de abertura do poema “A Mesa”, parte integrante do livro Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade. Neles podem ser identificados alguns elementos do poema, entre os quais o destinatário, um patriarca, a quem o eu lírico se dirige ao longo de centenas de versos. A respeito de “A Mesa” e de sua integração com outros poemas do mesmo livro, assinale a alternativa correta.

  • a) Numa festa de aniversário, o eu lírico reapresenta ao velho pai as pessoas da família. Tristes e nostálgicas, elas vão se dando conta de que o pai não as reconhece. É o que se observa nos versos: “Aqui sentou-se o mais velho” e “Mais adiante vês aquele / que de ti herdou a dura / vontade, o duro estoicismo”.
  • b) Na festa preparada para o pai, o eu lírico observa a conversa barulhenta em torno da comida e, inutilmente, tenta calar seus parentes, que trazem à mesa assuntos triviais, perturbando a solenidade do reencontro. É o que se observa na repetição do verso “(não convém lembrar agora)”.
  • c) Por meio dos versos “Como pode nossa festa / ser de um só que não de dois? / Os dois ora estais reunidos / numa aliança bem maior / que o simples elo da terra”, o eu lírico se dirige à mãe, convidando-a para se sentar à cabeceira da mesa, provocando uma discussão entre o pai autoritário e a mãe submissa.
  • d) Na memória do eu lírico, o pai se refere aos filhos cinquentões como se eles fossem meninos. Embora sugira discordar do pai, o eu-lírico reconhece as contradições da condição de filho adulto nos versos “e o desejo muito simples / de pedir à mãe que cosa, / mais do que nossa camisa, nossa alma frouxa, rasgada”.
  • e) O soneto “Encontro” faz referência a um pai, mas, como o pai está morto (“Está morto, que importa? / Inda madruga / e seu rosto, nem triste nem risonho, / é o rosto antigo, o mesmo. E não enxuga / suor algum, na calma de meu sonho”), o filho só o encontra em sonho e na imaginação, diferentemente de “A mesa”.

C (FGV 2017)

Museu da Inconfidência*

São palavras no chão
e memória nos autos.
as casas inda restam,
os amores, mais não.

E restam poucas roupas,
sobrepeliz de pároco,
a vara de um juiz,
anjos, púrpuras, ecos.

Macia flor de olvido,
sem aroma governas
o tempo ingovernável.
Muros pranteiam. Só.

Toda história é remorso.

Carlos Drummond de Andrade, Claro enigma.

*Museu instalado em Ouro Preto, MG, antiga Vila Rica.
Considerando-se o poema no contexto estético e ideológico de Claro enigma, ao qual pertence, verifica-se que a posição do eu lírico, em relação à Inconfidência Mineira, é a de

  • a) encará-la como modelo de rebeldia, a ser oferecido às novas gerações de militantes políticos.
  • b) considerá-la exemplo privilegiado da violência com que as elites reprimem as insurreições no Brasil.
  • c) tomá-la, distanciadamente, como ponto de partida para reflexões de caráter generalizante e teor filosófico.
  • d) lamentar a precariedade da reconstituição histórica que lhe é oferecida pela posterioridade.
  • e) enfatizar o sentimento de culpa das elites brasileiras, contemporâneas do poeta, em face do martírio de Tiradentes.

B (FGV 2017)

Museu da Inconfidência*

São palavras no chão
e memória nos autos.
as casas inda restam,
os amores, mais não.

E restam poucas roupas,
sobrepeliz de pároco,
a vara de um juiz,
anjos, púrpuras, ecos.

Macia flor de olvido,
sem aroma governas
o tempo ingovernável.
Muros pranteiam. Só.

Toda história é remorso.

Carlos Drummond de Andrade, Claro enigma.

É compatível com a síntese a que chega o poema sobretudo o pensamento (adaptado) que se encontra em:

  • a) A história das sociedades, até os dias atuais, é a história da luta de classes. (K. Marx)
  • b) As épocas felizes são páginas em branco no livro da história. (G. W. F. Hegel)
  • c) A vida (…) é uma história cheia de som e de fúria, contada por um idiota, significando nada. (W. Shakespeare)
  • d) O tempo é um tecido invisível, em que se pode bordar tudo (…). Também se pode bordar nada. Nada em cima do tecido invisível é a mais sutil obra deste mundo, e acaso do outro. (Machado de Assis)
  • e) O sujeito do conhecimento histórico é a própria classe combatente e oprimida. (W. Benjamin)

 

D (FGV 2017)

Museu da Inconfidência*

São palavras no chão
e memória nos autos.
as casas inda restam,
os amores, mais não.

E restam poucas roupas,
sobrepeliz de pároco,
a vara de um juiz,
anjos, púrpuras, ecos.

Macia flor de olvido,
sem aroma governas
o tempo ingovernável.
Muros pranteiam. Só.

Toda história é remorso.

Carlos Drummond de Andrade, Claro enigma.

A atitude assumida pelo poeta, em Claro enigma, em relação à participação social e ao engajamento político, encontra seu oposto mais frontal e marcado na atitude em relação às lutas sociais preconizada
pela obra

  • a) Til.
  • b) Memórias de um sargento de milícias.
  • c) Macunaíma.
  • d) Capitães da Areia.
  • e) O Ateneu.

 

2016

D (UFPR 2016) – Leia, atentamente, o seguinte poema:

Amar

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

O poema “Amar” integra a segunda parte, “Notícias Amorosas”, do livro Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade. Sobre esse poema, assinale a alternativa correta.

  • a) As indagações repetitivas, nas duas primeiras estrofes, reiteram a inviabilidade do amor diante de um mundo em que tudo é perecível.
  • b) O poeta estabelece uma intensidade da manifestação do amor com relação ao belo diferente da intensidade do amor dispensado ao grotesco.
  • c) Para acentuar a condição inexorável de amar, o poema enumera coisas que, por sua concretude e delicadeza naturais, justificam o amor que já recebem.
  • d) O poema postula uma condição universal, na qual se fundem o sujeito, a ação praticada e os objetos a que essa ação se dirige.
  • e) A última estrofe é a chave explicativa desse soneto e reitera a ineficácia do amor diante de um mundo caótico e insensível.

 

 

2010

E (PUC CAMP 2010) Valores renascentistas, como o do poder da racionalidade, e os dramas da consciência moderna, a que não falta o sentido de um impasse histórico, entram em conflito em “A máquina do Mundo“, de Carlos Drummond de Andrade, já que nesse monumental poema de Claro enigma o autor

a) explora os limites do lirismo dramático de um Oswald de Andrade.
b) propõe-se a investigar os projetos nacionalistas de Mário de Andrade.
c)  despoja-se da consciência histórica para realçar as mais livres fantasias.
d) ridiculariza seu destino de homem sentimental e deslocado no mundo.
e) faz frente à razão absoluta com a convicção melancólica de um indivíduo.

2005

C (ITA 2005) O livro “Claro Enigma“, uma das obras mais importantes de Carlos Drummond de Andrade, foi editado em 1951. Desse livro consta o poema a seguir.

Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

(ANDRADE, Carlos Drummond de. “Claro Enigma”, Rio de Janeiro: Record, 1991.)

Sobre esse texto, é correto dizer que

  • a) a passagem do tempo acaba por apagar da memória praticamente todas as lembranças humanas; quase nada permanece.
  • b) a memória de cada pessoa é marcada exclusivamente por aqueles fatos de grande impacto emocional; tudo o mais se perde.
  • c) a passagem do tempo apaga muitas coisas, mas a memória afetiva registra as coisas que emocionalmente têm importância; essas permanecem.
  • d) a passagem do tempo atinge as lembranças humanas da mesma forma que envelhece e destrói o mundo material; nada permanece.
  • e) o homem não tem alternativa contra a passagem do tempo, pois o tempo apaga tudo; a memória nada pode; tudo se perde.

 

2002

A (UFJF 2002) Leia, com atenção, os fragmentos a seguir:

“Porém se os justos Céus, por fins ocultos,
Em tão tirano mal me não socorrem;
Verás então, que os sábios,
Bem como vivem, morrem.
Eu tenho um coração maior que o mundo!
Tu, formosa Marília, bem o sabes:
Um coração…, e basta,
Onde tu mesma cabes.”
(Tomás Antônio Gonzaga – “Lira II – 2ª parte”)

“Não deixarei de mim nenhum canto radioso,
Uma voz matinal palpitando na bruma
E que arranque de alguém seu mais secreto espinho.

De tudo quanto foi meu passo caprichoso
na vida, restará, pois o resto se esfuma,
uma pedra que havia no meio do caminho. .”

(Carlos Drummond de Andrade – “Legado”)

Assinale a alternativa INCORRETA:

  • a) Em ambos os poemas, há a autovalorização dos poetas e confiança em seu vasto saber.
  • b) No poema de Tomás Antônio Gonzaga, o tema do amor reforça a idealização poética.
  • c) No poema de Drummond, existe a consciência de que a poesia não serve para consolar a dor.
  • d) Em Tomás Antônio Gonzaga, a razão é a causa da serenidade do poeta diante da morte.
  • e) Em Drummond, há diálogo com sua própria poesia e com a tradição lírica do Ocidente.

 

2001

D (UEL 2001)

“Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
Amar e esquecer,
Amar e malamar,
Amar, desamar, amar?
Sempre e até de olhos vidrados, amar?”

A palavra ATÉ, no texto de Carlos Drummond de Andrade, tem o mesmo valor semântico que em:

  • a) O marinheiro chegou ATÉ o porto ao amanhecer.
  • b) A polícia, ATÉ agora, não conseguiu capturar os fugitivos.
  • c) As apurações estaduais foram suspensas ATÉ segunda ordem.
  • d) Saveiro Geração III. Resiste a tudo, ATÉ a você.
  • e) 12 ATÉ 18 dias sem juros no cheque especial. Tarifas que podem chegar a zero.

 

1997

E (UEL 1997) No país dos Andrades, lá onde não há cartazes
e as ordens são peremptórias, sem embargo tácitas,
já não distingo porteiras, divisas, certas rudes pastagens
plantadas no ano zero e transmitidas no sangue.

O tema das origens familiares, dos ancestrais ligados à terra tal como o mostram os versos acima, marcou a poesia desse autodeclarado “fazendeiro do ar”, desse Andrade que escreveu

  • a) PAU-BRASIL.
  • b) LIRA PAULISTANA.
  • c) A MORATÓRlA.
  • d) POESIAS AVULSAS.
  • e) CLARO ENIGMA.