MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS – MACHADO DE ASSIS

CAIU NO VESTIBULAR!

2018

D (FACULDADE DE MEDICINA ALBERT EINSTEIN 2018)

O pior é que era coxa. Uns olhos tão lúcidos, uma boca tão fresca, uma compostura tão senhoril; e coxa! Esse
contraste faria suspeitar que a natureza é às vezes um imenso escárnio. Por que bonita, se coxa? Por que coxa,
se bonita? Tal era a pergunta que eu vinha fazendo a mim mesmo ao voltar para casa, de noite, sem atinar
com a solução do enigma. O melhor que há, quando se não resolve um enigma, é sacudi-lo pela janela fora;
foi o que eu fiz; lancei mão de uma toalha e enxotei essa outra borboleta preta, que me adejava no cérebro.
O trecho acima integra o romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Dele, e compreendendo a obra como um todo, pode-se afirmar que alude à personagem
  • a) Virgília, com quem o narrador teve um caso amoroso e com quem acabou se unindo em matrimônio.
  • b) Marcela, que foi o primeiro grande amor da vida de Brás Cubas, mas que terminou na miséria e morreu abandonada no hospital da Ordem.
  • c) Eulália, também chamada de Nhã-loló, que nutriu grande amor por Brás Cubas, mas morreu aos dezenove anos e mereceu um epitá o por parte do autor.
  • d) Eugênia, que também foi chamada de “A  or da moita”, por ter sido fruto de um relacionamento clandestino entre dona Eusébia e o Vilaça.

2017

C (UNICAMP 2017) O romance Memórias póstumas de Brás Cubas é considerado um divisor de águas tanto na obra de Machado de Assis quanto na literatura brasileira do século XIX. Indique a alternativa em que todas as características mencionadas podem ser adequadamente atribuídas ao romance em questão.

  • a) Rejeição dos valores românticos, narrativa linear e fluente de um defunto autor, visão pessimista em relação aos problemas sociais.
  • b) Distanciamento do determinismo científico, cultivo do humor e digressões sobre banalidades, visão reformadora das mazelas sociais.
  • c) Abandono das idealizações românticas, uso de técnicas pouco usuais de narrativa, sugestão implícita de contradições sociais.
  • d) Crítica do realismo literário, narração iniciada com a morte do narrador-personagem, tematização de conflitos sociais.

 

B (FUVEST 2017)

Considerado no contexto de Memórias póstumas de Brás Cubas, o “livro” dos amores de Brás Cubas e Virgília, apresentado no breve capítulo aqui reproduzido, configura uma

  • a) demonstração da tese naturalista qe postula o fundamento biológico das relações amorosas.
  • b) versão mais intensa e prolongada da típica sequência de animação e enfado, característica da trajetória de Brás Cubas.
  • c) incorporação, ao romance realista, dos triângulos amorosos, cuja criação se dera durante o período romântico.
  • d) manifestação da liberdade que a condição de defunto autor dava a Brás Cubas, permitindolhe tratar de assuntos proibidos em sua época.
  • e) crítica à devassidão que grassava entre as famílias da elite do Império, em particular, na Corte.

 

C (FACULDADE DE MEDICINA ALBERT EINSTEIN 2017)

O trecho acima integra o romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Considerando o trecho e o romance como um todo, o pensamento suspenso no final do parágrafo, indicia ações futuras da personagem em pauta. Indique a alternativa errada com relação ao que de fato ocorreu com Quincas Borba.

  • a) reaparece na história, já adulto, como um maltrapilho mendigo, no passeio público e, sorrateiramente, surrupia um relógio de Brás Cubas.
  • b) vai para Minas, recebe uma herança de um tio, em Barbacena, escreve uma carta a Brás Cubas, desculpando-se do roubo do relógio e envia-lhe um outro como substituição.
  • c) cria o sistema filosófico chamado Humanitismo, teoria que, segundo ele, suprime a dor, assegura a felicidade e enche de imensa glória o país, e, com isso, ganha notoriedade e fama.
  • d) enlouquece, volta para o Rio e morre, na casa de Brás Cubas, acometido da demência que o perseguia desde a invenção do Humanitismo, jurando que a dor era uma ilusão.

 

B (FMABC 2017) Acresce que chovia – peneirava – uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa ideia no discurso que proferiu à beira de minha cova: – “ Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que tem honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado”.
– Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei.

O trecho acima, de Memórias Póstumas de Brás Cubas, encerra um sentimento que se revela

  • a) verdadeiro, pois revelador da longa e fiel convivência entre as pessoas, se mostra como um sublime e desinteressado louvor ao finado.
  • b) irônico, já que encobre outro sentido, expresso em: “Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei”.
  • c) autêntico, porque confirma e valoriza as situações vividas pelo homenageado, e que o tornaram, de fato, “ um dos mais belos caracteres que tem honrado a humanidade”.
  • d) filosófico e profundo, já que apoiado na inventiva e rara comparação entre a chuva que cai e as lágrimas da natureza pela perda do amigo, traduz a autêntica poesia do texto.

2016

A (FACULDADE DE MEDICINA ALBERT EINSTEIN 2016) Um dos capítulos do romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, denomina-se O Humanitismo. Partilha da grande sátira que constitui a obra e se torna um “nonsense” das memórias nela apresentadas. – Assim, a respeito do Humanitismo, de acordo com o romance, é INCORRETO afirmar que

  • a) é uma teoria que, criada por Brás Cubas e difundida por Quincas Borba, apoia-se no princípio de humanitas que, segundo seu autor, rege as condicionantes da vida e da morte, não obstante revigorar o sintoma da hipocondria e exaltar a existência da dor.
  • b) é uma teoria, espécie de mescla bufa de pensamentos filosóficos que vão da tradição grega até o século XIX, utilizada por Machado de Assis para fazer caricatura do Positivismo e do Evolucionismo, teorias científicas e filosóficas em voga na época.
  • c) é uma doutrina de valorização da vida, defendida por um mendigo que acaba seus dias em plena loucura, caracterizando, essa situação, forte ironia como marca estruturante desta obra machadiana.
  • d) é uma teoria que convém a Brás Cubas para justificar a vacuidade de sua existência e dar a ele uma ilusão da descoberta de um sentido para sua vida e pela qual ele acaba se orientando.

 

A (FACULDADE DE MEDICINA ALBERT EINSTEIN 2016)

Os trechos acima, do romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, apresentam, ambos, dominantemente linguagem de idêntica função, ou seja,

  • a) Metalinguística, por explicitar os conteúdos do livro e explicar a forma de produção de seu estilo.
  • b) Conativa, por incidir persuasivamente sobre o leitor e convencê-lo da verdade da obra.
  • c) Poética, por usar significativo processo de seleção e de combinação das palavras, caracterizando a montagem estética do texto.
  • d) Referencial, por informar dominantemente sobre a filosofia do livro e os movimentos pachorrentos do autor.

 

D (UNICAMP 2016)

(…) pediu-me desculpa da alegria, dizendo que era alegria de pobre que não via, desde muitos anos, uma nota de cinco mil réis.
– Pois está em suas mãos ver outras muitas, disse eu.
– Sim? acudiu ele, dando um bote pra mim.
– Trabalhando, concluí eu. Fez um gesto de desdém; calou-se alguns instantes, depois disse-me positivamente que não queria trabalhar.

(Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001, p.158.)

O trecho citado diz respeito ao encontro entre Brás Cubas e Quincas Borba, no capítulo 49, e, mais precisamente, apanha o momento em que Brás dá uma esmola ao amigo.
Considerando o conjunto do romance, é correto afirmar que essa passagem

  • a) explicita a desigualdade das classes sociais na primeira metade do século XIX e propõe a categoria de trabalho como fator fundamental para a emancipação do pobre.
  • b) indica o ponto de vista da personagem Brás Cubas e propõe a meritocracia como dispositivo pedagógico e moral para a promoção do ser humano no século XIX.
  • c) elabora, por meio do narrador, o preconceito da classe social a que pertence Brás Cubas em relação à classe média do século XIX, na qual se insere Quincas Borba.
  • d) sugere as posições de classe social das personagens machadianas, mediante um narrador que valoriza o trabalho, embora ele mesmo, sendo rico, não trabalhe.

2015

D (FMABC 2015)

De como não fui ministro de estado
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A representação gráfica acima subentende um texto vazio de palavras, mas pleno de significado. É um capítulo do romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Dela pode-se afirmar que

  • a) propõe um jogo ao leitor e espera dele a aceitação para a elaboração conjunta da narrativa.
  • b) utiliza recurso gráfico inovador, mas negativo, porque desestruturante da sequência da narrativa e obstáculo para o claro entendimento do leitor.
  • c) apresenta um espaço gráfico-visual vazio de palavras, mas sugestivo de significação, embora destoante do estilo narrativo do autor.
  • d) indicia, no espaço vazio, a frustração da perda e, assim, sugere que melhor se diz, calando.
  • e) denota um desrespeito ao leitor que aguarda um texto completo, colocado para sua leitura e interpretação.

2013

D (FUVEST 2013)  Em quatro das alternativas abaixo, registram-se alguns dos aspectos que, para bem caracterizar o gênero e o estilo das Memórias póstumas de Brás Cubas, o crítico J. G. Merquior pôs em relevo nessa obra de Machado de Assis. A única alternativa que, invertendo, aliás, o juízo do mencionado crítico, aponta uma característica que NÃO se aplica à obra em questão é:

  • a) ausência praticamente completa de distanciamento enobrecedor na figuração das personagens e de suas ações.
  • b) mistura do sério e do cômico, de que resulta uma abordagem humorística das questões mais cruciais.
  • c) ampla liberdade do texto em relação aos ditames da verossimilhança.
  • d) emprego de uma linguagem que evita chamar a atenção sobre si mesma, apagando-se, assim, por detrás da coisa narrada.
  • e) uso frequente de gêneros intercalados — por exemplo, cartas ou bilhetes, historietas etc. — embutidos no conjunto da obra global.

 

B (FGV RJ 2013)  CAPÍTULO 73 – O Luncheon*

O despropósito fez-me perder outro capítulo. Que melhor não era dizer as coisas lisamente, sem todos estes solavancos! Já comparei o meu estilo ao andar dos ébrios. Se a ideia vos parece indecorosa, direi que ele é o que eram as minhas refeições com Virgília, na casinha da Gamboa, onde às vezes fazíamos a nossa patuscada, o nosso luncheon. Vinho, frutas, compotas. Comíamos, é verdade, mas era um comer virgulado de palavrinhas doces, de olhares ternos, de criancices, uma infinidade desses apartes do coração, aliás o verdadeiro, o ininterrupto discurso do amor. Às vezes vinha o arrufo temperar o nímio adocicado da situação. Ela deixava-me, refugiava-se num canto do canapé, ou ia para o interior ouvir as denguices de Dona Plácida. Cinco ou dez minutos depois, reatávamos a palestra, como eu reato a narração, para desatá-la outra vez. Note-se que, longe de termos horror ao método, era nosso costume convidá-lo, na pessoa de Dona Plácida, a sentar-se conosco à mesa; mas Dona Plácida não aceitava nunca.

 

Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.

 

(*) Luncheon (Ing.): lanche, refeição ligeira, merenda.

Considere as seguintes afirmações sobre o excerto das Memórias póstumas de Brás Cubas, obra fundamental da literatura brasileira:

  1. Depois de haver comparado seu estilo ao andar dos ébrios, o narrador resolve compará-lo também ao “luncheon”, penitenciando-se, assim, dos vícios que praticara em vida entre eles, o do alcoolismo.
  2. Nas comparações com o “luncheon”, presentes no excerto, o narrador revela ser o capricho (ou arbítrio) o móvel dominante tanto de seu estilo quanto das ações que relata.
  3. Na autocrítica do narrador, realizada com ingenuidade no excerto, oculta-se a crítica do realista Machado de Assis ao Naturalismo dominante em sua época.

Está correto o que se afirma em

  • a) I, apenas.
  • b) II, apenas.
  • c) I e II, apenas.
  • d) II e III, apenas.
  • e) I, II e III.

 

2012

B (UFRN 2012)  Parte do capítulo IX (“Transição”), de Memórias Póstumas de Brás Cubas:

E vejam agora com que destreza, com que arte faço eu a maior transição deste livro. Vejam: o meu delírio começou em presença de Virgília; Virgília foi meu grão pecado da juventude; não há juventude sem meninice; meninice supõe nascimento; e eis aqui como chegamos nós, sem esforço, ao dia 20 de outubro de 1805, em que nasci. Viram? Nenhuma juntura aparente, nada que divirta a atenção pausada do leitor: nada.

(ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ática, 2000.)

Trecho do conto “O fisco (conto de Natal)”, publicado em 1921 e integrante do livro Negrinha, de Monteiro Lobato:

Súbito, viu um homem de boné caminhando para o seu lado. Olhou-lhe para as botinas. Sujas. Viria engraxar, com certeza – e o coração bateu-lhe apressado, no tumulto delicioso da estreia. Encarou o homem já a cinco passos e sorriu com infinita ternura nos olhos, num agradecimento antecipado em que havia tesouros de gratidão.

Mas em vez de espichar o pé, o homem rosnou aquela terrível interpelação inicial:

– Então, cachorrinho, que é da licença?

(LOBATO, Monteiro. Negrinha. São Paulo: Globo, 2008, p. 71)

Da leitura comparada do romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e do conto “O fisco”, de Monteiro Lobato, pode-se afirmar que,

  • a) tanto no romance quanto no conto, a crítica social dirige-se principalmente à hipocrisia da burguesia.   
  • b) no romance, a crítica social dirige-se à hipocrisia da burguesia; no conto, à opressão do poder público aos desvalidos.   
  • c) tanto no romance quanto no conto, a crítica social dirige-se principalmente à opressão do poder público aos desvalidos.   
  • d) no romance, a crítica social dirige-se à opressão do poder público aos desvalidos; no conto, dirige-se à hipocrisia da burguesia.   

 

B (UFRGS 2012)  Considere as seguintes afirmações sobre o romance Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis.

  1.  Quando filiado a uma ordem religiosa, Brás contrariou sua natureza interesseira e sentiu-se verdadeiramente recompensado ao diminuir a desgraça alheia.
  2. Baseado na constatação de que, ao olhar para o próprio nariz, o indivíduo deixa de invejar o que é dos outros, Brás teoriza sobre a utilidade da ponta do nariz para o equilíbrio das sociedades.
  3. A teoria do Humanitismo de Quincas Borba foi fundamentada no episódio da borboleta negra, que morreu nas mãos do protagonista por não ser azul e bela.

 Quais estão corretas?

  • a) Apenas I.   
  • b) Apenas II.   
  • c) Apenas I e II.   
  • d) Apenas I e III.   
  • e) I, II e III.   

 

E (UPF 2012)  Leia as seguintes afirmações sobre a obra Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis:

  1. A idealização das personagens é um traço significativo do romance.
  2. Constata-se, na narrativa, uma ruptura com os lugares-comuns que caracterizavam a linguagem no Romantismo.
  3. No romance, destaca-se a presença de um narrador que é também o protagonista da história e que se apresenta como defunto autor.

 Qual(is) está(ão) correta(s)?

  • a) Apenas I.   
  • b) Apenas II.   
  • c) Apenas III.   
  • d) I e III.   
  • e) II e III.